PROPAROXÍTONAS EVENTUAIS

Uma aluna que mora no meu coração me enviou há uns dias uma dúvida que eu sinto que não é só dela. A minha pupila dizia em sua mensagem: “Eu consigo assimilar e entender facilmente as regras de acentuação. Meu único problema é identificar se o encontro vocálico no final da palavra é um ditongo ou um hiato e, assim, determinar se a palavra é paroxítona ou proparoxítona. Por exemplo: secretária (se-cre-tá-ria ou se-cre-tá-ri-a?).”

 

Vamos lá!

 

Trata-se, nesse caso, de uma dupla possibilidade de classificação. O fenômeno acontece com as paroxítonas terminadas em ditongo crescente, como ocorre, inclusive, com o meu nome (Patrícia). Nesses casos, é possível entender que Patrícia, secretária, história, inventário e tantas outras são paroxítonas e também que são “proparoxítonas eventuais”.

 

Se a divisão silábica for Pa- trí-cia, se-cre-tá-ria, his-tó-ria, in-ven-tá-rio, estaremos diante de palavras cuja sílaba tônica é a penúltima, portanto são paroxítonas. Acontece que há também a possibilidade de se pensar a divisão silábica com a separação das vogais finais (Pa- trí-ci-a, se-cre-tá-ri-a, his-tó-ri-a, in-ven-tá-ri-o); nesse caso, a sílaba tônica das palavras é a antepenúltima e as palavras são, portanto, proparoxítonas, chamadas mais especificamente de proparoxítonas eventuais.

 

Quanto à acentuação, pode ser justificada pela regra que determina a acentuação das paroxítonas terminadas em ditongo, que é a justificativa mais usual, ou pela regra que determina a acentuação de todas as proparoxítonas. (Clique aqui para ver o nosso artigo sobre acentuação gráfica).

 

Por hoje, é só!

 

 

Beijinhos,

 

Prof.ª Dr.ª Patrícia Corado

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PROPAROXÍTONAS EVENTUAIS
17 Comentários
  • Guilherme Nunes Amaral dos Santos
    Postado 15:03h, 15 outubro Responder

    Muito bom!

  • Glauco
    Postado 09:44h, 12 junho Responder

    Estava até chorando por causa das palavras ciência e transitório. Estava com dificuldade para entender o porquê era paroxitona ou proparoxitona. Muito obrigado!

  • Di
    Postado 16:51h, 21 julho Responder

    A minha duvida com relação a esse assunto é a seguinte, se for uma paroxítona temos SV + V e se for proparoxítona temos V + V. Dessa forma como pode ocorrer as duas possibilidades?

    • Língua Minha
      Postado 14:00h, 18 outubro Responder

      É isso mesmo, Di! Se os dois elementos vocálicos estiverem na mesma sílaba, temos um ditongo (SV+V). Se estiverem em sílabas diferentes, ambos serão vogais.
      Um abraço,
      Patrícia

  • katiane
    Postado 09:00h, 30 julho Responder

    Nunca estudei isso na minha vida. Achei que eu estava errando na hora da separação das sílabas, só que não! Inventaram mais uma praga para estudarmos.

  • Língua Minha
    Postado 14:01h, 18 outubro Responder

    rsrsrs Só quero dizer que eu não inventei nada, tá? rsrs
    Um beijo,
    Patrícia

  • Michael David de jesus cunha
    Postado 02:34h, 01 maio Responder

    e o poque a palavra “economia” nao se encaixa nas propraroxitonas eventuais sendo que ela é terminada em ditongo decrescente???

    • Língua Minha
      Postado 19:28h, 02 maio Responder

      “Economia” não termina em ditongo, Michael! A separação silábica é e-co-no-mi-a.

  • Marta
    Postado 00:44h, 12 maio Responder

    Como determinar então que as palavras serão proparoxítonas eventuais? Nas palavras exílio, divórcio e gírias, no dicionário são dividas li- o / ci – o / ri – as/, porém na classificação são paroxítonas? Não consigo entender, me ajuda por gentileza. rsrsrs

  • Língua Minha
    Postado 18:48h, 16 maio Responder

    Marta, como eu explico no artigo, “Trata-se, nesse caso, de uma dupla possibilidade de classificação. O fenômeno acontece com as paroxítonas terminadas em ditongo crescente, como ocorre, inclusive, com o meu nome (Patrícia). Nesses casos, é possível entender que Patrícia, secretária, história, inventário e tantas outras são paroxítonas e também que são “proparoxítonas eventuais”.”.

  • Jadiel Maldonado
    Postado 20:30h, 22 julho Responder

    Essa dúvida sempre vai estar em nossas cabeças rsrsr
    Quando eu vejo uma palavra que o final dela terminar em ditongo crescente e que antes delas a sílaba é tônica -tendo o acento agudo – eu já penso em paroxítona, e quando não tem acento, eu já penso que não é ditongo no final, mas sim um hiato.
    Isso é automático rsrsr
    Posso estar errado, porém já acertei muitas questões com essa ideia.

  • Veruma Virgilio
    Postado 22:11h, 20 outubro Responder

    E nesses casos, por exemplo num concurso, numa prova qual será a resposta aceita?

    • José Abreu
      Postado 00:15h, 14 maio Responder

      Essa e a msm dúvida que eu tenho
      exemplo: Em cursinhos ainda estão ensinando na velha ortografia de certas coisas, apesar que a tecnologia de hj, como o google já nos dar resposta rápidas , a exemplo de História , certos sites que são dedicados a língua portuguesa já não mais não mais aceitam a separação silábica de história dessa forma [his-tó-ria] e sim [his-tó-ri-a], deixando a msm de ser ditongo passando ser um hiato. e deixando de ser paroxítona e sendo proparoxítona.

  • Jeisiane
    Postado 16:55h, 16 novembro Responder

    Veruma Virgílio, em questões de concursos é aceito a regra geral das paroxítonas terminadas em ditongo, pois é apenas eventualmente que essas palavras podem ser proparoxítonas.

    Olha essa questão que encontrei, ela explora exatamente esse assunto

    IBFC-2019 – As palavras: ímpias e perfídia, utilizadas no texto, são acentuadas de acordo com a mesma regra. Nesse sentido, assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente as lacunas de acordo com a norma brasileira utilizada.
    “Estas palavras podem ser _____ ou _____ e são terminadas em _____ ou ______; assim, devem ser acentuadas.”

    a)proparoxítonas / oxítonas / vogal / semivogal
    b) oxítona / paroxítona / ditongo decrescente / semivogal
    c) paroxítona / proparoxítona / ditongo crescente / hiato
    d) proparoxítonas / oxítona / ditongo crescente / hiato

    gabarito: letra c

  • Eliane Pontes
    Postado 13:48h, 10 novembro Responder

    Prof. Patrícia! Te conheci há pouco tempo no Youtube. Mal posso acreditar que encontrei resposta para isso, vasculhei tanto a internet e nunca encontrei uma explicação tão boa! Muito obrigada!

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