Complemento Nominal ou Adjunto Adverbial?

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    • #16664 Responder
      Diogo Burlamaqui
      Convidado

      Professora, boa tarde. Como vai?

      Cá estou eu novamente. Preciso de outra ajuda.

      Lemos que o Adjunto adverbial expressa circunstâncias a verbos, adjetivos, advérbios e orações. Pois bem, dentre essas circunstâncias, observa-se a possibilidade de se fazer a indicação de “lugar”, por meio de um Adjunto Adverbial.
      Sendo assim, na frase “José das Couves, morador na rua dos Andradas, é professor.”, por que a classificação dos gramáticos para o trecho “na rua dos Andradas” é a de Complemento Nominal se esse trecho expressa uma circunstância de lugar?

      Grato.
      Um abraço.

      Diogo.

    • #16666 Responder

      Oi, Diogo!!!! Em primeiro lugar, é importante notar que as suas dúvidas demonstram que você tem boa bagagem, mas está olhando para a Língua com um olhar um pouco enviesado. A culpa disso não é sua, mas da tradição escolar, que insiste em fazer um ensino pouco inteligente do idioma materno. Veja que a sua confusão existe porque você está fazendo uma classificação sintática (adjunto adverbial ou complemento nominal) sob uma perspectiva semântica (a indicação de lugar). É daí que decorre o problema (que não é seu, mas do ensino; por isso afeta não só você, mas muitos estudantes). Vamos, então, à sintaxe: Veja que a expressão “na rua dos Andradas” está ligada ao substantivo (núcleo do aposto) “morador”. Você mesmo disse que o adjunto adverbial se projeta sobre um “verbo, adjetivo, advérbio ou oração” (observe que esse é um critério acerca da estrutura, das relações, portanto é sintática). Assim, a despeito do valor SEMÂNTICO de lugar, isso não pode ser um ajunto adverbial porque se relaciona SINTATICAMENTE com um SUBSTANTIVO. Ou seja, o que eu quero que você perceba é que a indicação de lugar é um componente do plano SEMÂNTICO e que a sintaxe se constrói no plano das relações. Assim, se eu falo “Vi um menino de rua”, não posso dizer que “de rua” é adjunto adverbial só porque traz a ideia (SEMÂNTICA) de lugar, uma vez que a expressão se relaciona a “menino” (substantivo), não desempenhando as RELAÇÕES sintáticas típicas do adjunto adverbial; teríamos aí um adjunto adnominal. Está entendendo? No caso trazido por você, o termo não é adjunto adnominal e sim complemento nominal porque, como você pode notar, tem, entre outras características, um caráter muito mais complementar (típico do complemento) do que acessório (típico do adjunto). Note que, na sentença “Vi um menino de rua”, a expressão “de rua” poderia ser retirada sem prejuízo à estrutura da sentença (Vi um menino.), que continuaria completa. Já a expressão “na rua dos Andradas”, caso fosse retirada, traria uma certa incompletude à sentença (José das Couves, morador, é professor”), por isso ela está no plano dos termos integrantes, ou seja, é um complemento nominal. Entendeu?
      Mande sempre as suas questões. É um prazer respondê-las!
      Um abraço,
      Patrícia

    • #16672 Responder
      Diogo Burlamaqui
      Convidado

      Bom dia, professora.

      Cristalina a explicação! Muito obrigado pela resposta densa e esclarecedora.
      Sou estudante de Letras e, nesta situação, sabemos como as faculdades exploram pouco os assuntos gramaticais. Não moro mais no Rio; contudo, quando a professora pensar em ministrar um curso de gramática intermediária/avançada direcionado aos alunos/professores de português, lá estarei.

      Obrigado.
      Um abraço.

      Diogo

    • #16675 Responder

      Há sim muitas lacunas nos cursos superiores de modo geral; mas, com o seu empenho, tenho a certeza de que superará esses obstáculos e terá uma linda carreira pela frente. Precisamos de professores de Língua Portuguesa atentos e curiosos em relação aos fatos da língua como você!
      Um abraço,
      Patrícia

    • #16874 Responder
      kelly Detmann
      Convidado

      Professora, na frase : “Quando analisamos o gasto por aluno, no entanto, a realidade é bem outra”. O termo quando se reere a um complemento nominal ou adjunto adverbial?

      • #17411 Responder

        O “quando” é uma conjunção subordinativa adverbial temporal e introduz a oração subordinada adverbial.

    • #16888 Responder
      PAULA ROMA
      Participante

      Professora,

      Na frase: Ela permanece deprimida com a situação. Qual a função sintática com a situação? Estou na dúvida se é Complemento Nominal ou Adjunto Adverbial. Obrigada.

    • #16903 Responder

      Oi, Paula! Eu vejo como um adjunto adverbial de causa.
      Beijos,
      Patrícia

    • #17131 Responder
      Marcelo Henrique
      Convidado

      Bom dia!

      Na frase: “As mulheres preparam a refeição para os lavradores”, a expressão “para os lavradores” é complemento nominal de “refeição” ou adjunto adverbial de finalidade de “preparam”?

      Obrigado!

    • #17135 Responder

      Oi, Marcelo! Eu vejo como adjunto adverbial. São dois os motivos que me levam a essa classificação: 1) o caráter absolutamente acessório; 2) a mobilidade. Note que a expressão “para os lavradores” poderia ir para qualquer lugar da sentença (“Para os lavradores, as mulheres preparam a refeição”; “As mulheres preparam, para os lavradores, a refeição”; “As mulheres, para os lavradores, preparam a refeição”), o que é um comportamento típico do adjunto adverbial que se projeta sobre o verbo.

      • Esta resposta foi modificada 1 ano, 7 meses atrás por Língua Minha.
    • #17146 Responder
      Felipe
      Convidado

      Refeição é substantivo abstrato ou concreto?
      E por qual motivo?

    • #17150 Responder

      Olá, Felipe! Como “ato ou efeito de refazer / restaurar / alimentar”, é abstrato, pois o “ato” é abstrato. Mas, quando refeição designa o próprio alimento, é concreto.

    • #17152 Responder
      Felipe
      Convidado

      Muito obrigado!

    • #17161 Responder
      Júlia Oliveira
      Convidado

      Boa tarde,
      Estou em dúvida em duas frases.
      1 – Amo a Deus sobre todas as coisas.
      Qual a função sintática de “sobre todas as coisas”? Complemento nominal ou adjunto adverbial?

      2 – Ofereci-lhe um prêmio.
      Qual função sintática de ” um prêmio”? Adjunto Adnominal?

    • #17174 Responder

      Oi, Júlia!
      1) Adjunto adverbial
      2) Objeto direto

    • #17369 Responder
      João Marcelo
      Convidado

      Olá, professora,
      Em “Nunca me faltou ajuda nas dificuldades.”, qual seria a função sintática de “nas dificuldades”?
      Obrigado,

    • #17481 Responder
      marina Silva Madeira
      Convidado

      Boa noite, professora!
      meu nome é marina. Estou estudando para concurso e estou com dificuldade em diferenciar adjunto adverbial de complemento nominal. vou explicar minha dúvida. na frase ” seria muito dificil para mim fazer faculdade de medicina no Brasil. Analisando sintaticamente, reconheço que a frase esta invertida. Que ” fazer faculdade de medicina no Brasil” = sujeito
      Que ” seria” = V. L e ” muito difícil PARA MIM” : predicativo do sujeito . caso estava errada,favor me corrigir. minha divida é a seguinte: Porque o termo PARA MIM é complemento nominal e não um adjunto adverbial? ” Para mim” não seria uma circunstância modificadora do adjetivo dificil ?
      Espero ter conseguido me expressar corretamente . obrigada pela oportunidade.

      • #17492 Responder

        Marina, sua dúvida é muito pertinente! A definição de ‘PARA MIM’ como complemento nominal (e não adjunto adverbial) se funda no caráter complementar (e não acessório) da expressão. Os advérbios que se referem a adjetivos normalmente são elementos de nítido valor acessório! Já os complementos nominais que completam adjetivos têm um viés integrante (a retirada deles cria a possibilidade de uma pergunta imediata). Assim, quando digo “Ele é bonito demais.”, a retirada do “demais” é estruturalmente irrelevante. Mas, quando digo “Ele é capaz de tudo.”, se eu retirar o “de tudo”, cria-se a pergunta imediata “Capaz de quê?”. Assim, estamos diante de um complemento. Entende? Esse mesmo caráter complementar se coloca sobre “para mim”, que COMPLETA “difícil”: “Difícil para quem?”.

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