Complementos indiretos ou circunstanciais?

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  • Este tópico contém 2 respostas, 2 vozes e foi atualizado pela última vez 3 anos, 8 meses atrás por Diogo Burlamaqui.
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    • #16694 Responder
      Diogo Burlamaqui
      Convidado

      Professora, tudo bem?

      Estou aqui, novamente, cheio de dúvidas. rs

      Vi as frases: “Viajarei para São Paulo”, “José olhou para o professor”, “José olhou para baixo”. Quando abri o dicionário de regência verbal do mestre Luft, não consegui chegar a uma conclusão da função tradicional exercida pelos complementos “para São Paulo”, “para o professor” e “para baixo”. No bloco de classificação do livro, encontramos ambos como “TI ou INT”, dando a entender que não há consenso entre gramáticos, ou seja, que depende da visão de quem analisa a frase.
      Posso pensar que no caso de “Viajarei para São Paulo” tenho verbo intransitivo seguido da ideia circunstancial de lugar (adjunto adverbial de lugar), assim como na frase “José olhou para baixo”, posso analisar como verbo intransitivo seguido, também, da ideia circunstancial de lugar?
      Já na frase “José olhou para o professor”, analiso como verbo transitivo indireto seguido de Objeto indireto, porque “para o professor” me indicaria a ideia do destinatário/alvo da ação?

      Seria esse o resumo da ópera, ou estamos novamente caminhando nas penumbras da gramática normativa?

      Obrigado pela atenção.

      Abraço.

      Diogo

    • #16696 Responder

      Oi, Diogo! Sua perguntas são sempre muito bem-vindas!
      O assunto, de fato, é controverso… Na minha opinião, você está certo. Nas duas primeiras análises, temos verbos intransitivos que pedem os chamados “complementos circunstanciais”. É importante que tenhamos em mente que, para alguns verbos intransitivos, o clássico adjunto adverbial é uma estrutura de caráter completamente acessório (Eu dormi no Rio de Janeiro), ao passo que, para outros, esse caráter é mais complementar (Eu moro no Rio de Janeiro). O didatismo nos faz classificar igualmente “dormi” e “moro”, sendo ambos intransitivos, apesar de haver claras diferenças entre esses verbos no que se refere à relação com o elemento circunstancial (no Rio de Janeiro).
      Quanto ao último exemplo “José olhou para o professor”, temos um verbo transitivo porque a natureza do complemento é substantiva. Note que seria perfeitamente possível, nesse caso, eliminar a preposição, o que, na minha análise, prova que o substantivo “professor” não assume posição acessória na sentença, mantendo-se em uma casa sintática substantiva (objeto).
      Entendeu? Caso permaneça com alguma dúvida, fique à vontade para dar continuidade às perguntas dentro deste fórum.
      Um abraço,
      Patrícia

      • #16697 Responder
        Diogo Burlamaqui
        Convidado

        Boa tarde, professora.

        Sim, entendi. Perfeito!
        No terceiro caso, o verbo poderia assumir transitividade direta (olhar alguém). Além disso, o complemento é indispensável para garantir a transmissão da informação da frase, né?

        Às vezes faço as análises, acabo acertando, mas, nas gramáticas normativas tradicionais, a língua é tão amarrada, que parece que estou sem resposta para os meus questionamentos.

        Obrigado pela disponibilidade de sempre, professora.

        Um abraço,

        Diogo

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