Responder a: Complemento Nominal ou Adjunto Adverbial?

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Oi, Diogo!!!! Em primeiro lugar, é importante notar que as suas dúvidas demonstram que você tem boa bagagem, mas está olhando para a Língua com um olhar um pouco enviesado. A culpa disso não é sua, mas da tradição escolar, que insiste em fazer um ensino pouco inteligente do idioma materno. Veja que a sua confusão existe porque você está fazendo uma classificação sintática (adjunto adverbial ou complemento nominal) sob uma perspectiva semântica (a indicação de lugar). É daí que decorre o problema (que não é seu, mas do ensino; por isso afeta não só você, mas muitos estudantes). Vamos, então, à sintaxe: Veja que a expressão “na rua dos Andradas” está ligada ao substantivo (núcleo do aposto) “morador”. Você mesmo disse que o adjunto adverbial se projeta sobre um “verbo, adjetivo, advérbio ou oração” (observe que esse é um critério acerca da estrutura, das relações, portanto é sintática). Assim, a despeito do valor SEMÂNTICO de lugar, isso não pode ser um ajunto adverbial porque se relaciona SINTATICAMENTE com um SUBSTANTIVO. Ou seja, o que eu quero que você perceba é que a indicação de lugar é um componente do plano SEMÂNTICO e que a sintaxe se constrói no plano das relações. Assim, se eu falo “Vi um menino de rua”, não posso dizer que “de rua” é adjunto adverbial só porque traz a ideia (SEMÂNTICA) de lugar, uma vez que a expressão se relaciona a “menino” (substantivo), não desempenhando as RELAÇÕES sintáticas típicas do adjunto adverbial; teríamos aí um adjunto adnominal. Está entendendo? No caso trazido por você, o termo não é adjunto adnominal e sim complemento nominal porque, como você pode notar, tem, entre outras características, um caráter muito mais complementar (típico do complemento) do que acessório (típico do adjunto). Note que, na sentença “Vi um menino de rua”, a expressão “de rua” poderia ser retirada sem prejuízo à estrutura da sentença (Vi um menino.), que continuaria completa. Já a expressão “na rua dos Andradas”, caso fosse retirada, traria uma certa incompletude à sentença (José das Couves, morador, é professor”), por isso ela está no plano dos termos integrantes, ou seja, é um complemento nominal. Entendeu?
Mande sempre as suas questões. É um prazer respondê-las!
Um abraço,
Patrícia